Música e Infância – LEM/USP

“Cadê o toucinho que estava aqui?”

Uma das memórias mais fortes da minha infância é de quando meu pai ia me buscar nas aulas de música e saia comigo pela escola cantando canções folclóricas ou fazendo esta brincadeira.

O jogo consiste de perguntas e respostas prontas.
Na primeira pergunta, meu pai pegava minha mão e e apontada para a palma dela. Conforme eu ia respondendo ele ia caminhando com seus dedos até me fazer cócegas.

“Cadê o toucinho que tava aqui?

O gato comeu.

Cadê o gato?

Foi pro mato.

Cadê o mata?

O fogo queimou.

Cadê o fogo?

A água apagou.

Cadê a água?

O boi bebeu.

Cadê o boi?

Foi carrear trigo pras galinhas?

Cadê o trigo?

A galinha espalhou.

Cadê a galinha?

Foi botar ovo?

Cadê o ovo?

O frade bebeu?

Cadê o padre?

Foi pra missa.

Onde é a missa?

É na igreja.

E o caminho da igreja é…”

Conversando com amigos, percebi que cada um tinha uma versão, o que mostra o quanto as brincadeiras orais são vivas.

Segue abaixo o link de algumas versões:


Denise Castilho de Oliveira

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Quando fui questionado sobre qual música tinha marcado minha infância, me deparei com uma terrível constatação: NÃO LEMBRAVA DE NENHUMA!!!
Mas ao fazer uma “pequena” viagem ao túnel do tempo, me lembrei de uma canção chamada Formiguinha que cantava sempre na igreja que freqüentava, na Assembléia de Deus, no Jardim Ruyce em Diadema.

A letra é:

A formiguinha corta a folha e carrega
Quando uma deixa
A outra pega

A formiguinha corta a folha e carrega
Quando uma deixa
A outra pega

Oh! Que ministério glorioso
A formiguinha ensinando o preguiçoso

Oh! Que ministério glorioso
A formiguinha ensinando o preguiçoso

Essa música foi super importante na minha infância, pois me ensinou o valor do trabalho, e sempre me lembro dela quando me dá aquela preguiçinha…

Links You tube:


Agnelson Gonçalves

Escolhi esta música por ser a mais antiga das brincadeiras que eu me lembro que fazia com minhas irmãs, além de ser muito divertida, me lembro que aproveitávamos para gastar muita energia enquanto cantávamos.

Minha mãe que nos ensinou, mas a versão que ela cantava pra gente dizia “Mariana Contra Um”, então já imaginávamos uma briga da Mariana contra muitas outras pessoas, e, na parte da contagem dos números fazíamos em ordem decrescente, o que enfatizava ainda mais a luta de Mariana. Ela enfrentava um por um, tinham no final 10 contra mariana e ela vencia a todos (10, 9, 8, …)até chegar na vitória ao brado de vencedora: “é ANA!”, me lembro que era o momento mais empolgante da música!

Mariana contra um, Mariana contra um.

É um, é Ana!

Viva Mariana! Viva Mariana!

Mariana contra dois, Mariana contra dois.

É dois, é um é Ana!

Viva Mariana! Viva Mariana!

Mariana contra três, Mariana contra três.

É três, é dois, é um, é Ana!

Viva Mariana! Viva Mariana!

(e prossegue até o “Mariana contra 10” ou até as crianças cansarem)

A versão na minha mãe também, além da contagem regressiva, não tinha pausa entre a contagem dos números e o “brado de vitória” da Mariana, deixando a chegada ao temo mais longo do “é Ana!” mais empolgante e com caráter de apoio ainda maior. Aproveitávamos a luta da Mariana (a contagem dos números), pra ficar torcendo por ela – levantando e balançando as mãos fechadas no ar -, ou lutávamos com ela – fazendo os movimentos do soco no ar em todos os adversários de Mariana. Ai vai a partitura da versão que cantávamos:

Partitura da versão que eu cantava

Vai um vídeo também, da versão da galinha pintadinha, que mostra esses pontos diferentes que eu falei, essa versão deve ser a mais conhecida. Eles cantam Mariana conta um, Mariana conta dois, etc. A música então é para contar os números, e não para que Mariana vencesse os seus inimigos cotando de forma decrescente. Além de algumas diferenças melódicas essa versão também faz uma pausa depois da contagem para falar o “Ana!”.

Versão Galinha Pintadinha:

http://www.youtube.com/watch?v=orxxp-3gBiE

Versão diferente, nessa versão ele canta decrescente depois crescente, também muito legal:

http://www.youtube.com/watch?v=zCLEnlK8yys

Desde a minha infância, sempre ouvi meu pai tocar violão, em particular uma canção que, até o início desse trabalho, era a “música do meu pai”. Busquei na memória se já havia escutado alguma vez com qualquer outra pessoa, mas com surpresa percebi que não. Conheci e aprendi a cantar essa música com meu pai em churrascos de família e em tardes de domingo sentados na varanda de casa no interior de São Paulo.

Pesquisei na internet e encontrei quem era o compositor e até uma gravação, mas estava muito diferente. Mesmo sendo a versão original, aquela não era a “música do meu pai”.

O compositor carioca Ruy Maurity, em parceria com José Jorge, gravou-a no LP “Em busca do Ouro” em 1973. O caráter de música caipira, o início da melodia em anacruse – “O verde é maravilha” (a versão do meu pai começa na cabeça do tempo – tético- “Verde é maravilha”), o ritmo das frases no refrão e principalmente uma parte da letra “Verde é maravilha, fruta de quitanda” (nós cantamos “fruta de pitanga”) são as maiores diferenças.

Conversando com meu pai sobre este trabalho, ele me contou que conheceu essa música por um grupo, formado por artistas de vários países da América Latina, chamado Tarancón. Ele tem uma fita cassete de um show ao vivo realizado em 1981 e lá encontrei a canção.

Assim, descobri a gravação que meu pai toca para minhas irmãs e para mim. Meu pai ainda brinca em cima do verso (“O galo canta no quintal”). Ele faz uma mudança no andamento, acelerando cada vez que retoma essa parte da música. O mais divertido é o clima de suspense que ele cria no último “Meu coração bate pilão” antes de retornar para o refrão cada vez mais acelerado.

Mariana Muchatte Trento

Escolhi compartilhar uma canção que fez parte da minha infância nas aulas de música que tive durante o ensino fundamental com a intenção de representar a reflexão que tivemos ao longo deste semestre sobre a música na educação infantil e sobre as composições criadas para este universo.

Fiz uma gravação na flauta doce (a mesma utilizada nessa época!) da maneira como a canção era tocada na aula:

A seguir, uma versão instrumental com um arranjo que utiliza trechos de improvisação. É possível notar variações melódicas da versão que apresentei, provavelmente a professora adaptou a canção pensando na facilidade da posição das notas e na tessitura da flauta doce.

Essas aulas aconteceram na 3ª ou 4ª série, não me lembro exatamente. Nós aprendíamos a tocar flauta doce, naquele velho esquema de aula de música – mecanicista e voltado para a preparação de apresentações nas datas comemorativas. Como exemplo disso, uma foto da turma com as flautas na apresentação de dia das mães:

As crianças competiam para ver quem conseguia fazer o dó grave mais bonito na flauta doce. É possível perceber que o maior desafio nesse tipo de proposta de aula consistia em fechar bem todos os orifícios da flauta… ou ser capaz de decorar as músicas que a professora ensinava. Tenho o caderno dessa época guardado até hoje, vejam a maneira como era feito o registro das canções que aprendíamos:

 

Além dessa canção, aprendemos a tocar outras bastante utilizadas com crianças,  entre elas  Lua de Mel de Luiz Tatit e Minha Canção de Chico Buarque. – que, embora sejam belas canções de grandes compositores que se dedicaram também ao universo infantil, podemos perceber a escolha feita pela professora de repertório voltado para a temática do nome das notas e figuras musicais. Tenho a lembrança de gostar muito de ouvir e tocar todas.

 

A seguir, a letra completa da canção e uma versão para coro infantil:

Chorinho
Letra e música: Maria Meron

Este chorinho
Chorinho tão miudinho
Fica muito engraçadinho
Se a gente solfejar
Do re re si si do do mi mi fa fa re re mi
Chorinho quente no compasso tão ardente
Chorinho pra toda gente faz a gente se alegar

Este chorinho não tem flauta e cavaquinho
Tem um toque de carinho para a gente solfejar
Do re re si si do do mi mi fa f are re mi
Se você gosta vou cantar mais uma vez
Canto quatro cinco seis canto até o sol raiar

Acredito ser importante na formação do professor a reflexão sobre a própria experiência com a educação na infância, e este é um dos objetivos desse relato. Mas apesar deste modelo pelo qual iniciei o estudo de música estar distante do pensamento atual de educação musical e  que fique aquém do que acreditamos que a música tem de potencial na formação do ser humano , estas aulas foram bastante especiais na minha trajetória, pois elas eram bastante esperadas no horário da escola e despertaram gosto pela música e o interesse por estudar um instrumento musical. Imaginem quantos estímulos mais a música pode provocar quando praticada de maneira criativa e significativa na escola!

Ariane Escórcio

Desde o comecinho da minha infância, minha mãe colocava um disco de vinil com canções infantis japonesas. Ouvíamos as canções nas longas viagens que fazíamos de carro para a casa dos meus avós paternos que moram no interior de São Paulo e também enquanto brincávamos em casa.

Enquanto fazia a pesquisa e preparava as traduções, me lembrei que o significado das palavras propriamente dito não era o mais importante para mim quando criança. Também me lembrei que gostava de ouvir as canções japonesas, assim como também gostava do disco do balão mágico e dos saltimbancos, sem fazer diferenciações se a música era japonesa ou brasileira.

Compartilho com vocês duas delas.

Como seria muito difícil colocarmos uma tradução literal das canções devido às peculiaridades da língua japonesa, colocamos aqui uma imagem sobre essas canções imaginada pelo meu pai e pelo meu avô que falam japonês.

 

Imagem

Caracol, caracol redondinho
E a sua cabeça onde estará?
Mostre suas antenas,  mostre a cabeça
Caracol, caracol redondinho
E os seus olhos, onde estarão?
Mostre suas antenas,  mostre os olhos.

 

Imagem

No crepúsculo do entardecer
Tocam os sinos do templo na montanha
De mãos dadas, vamos para casa
Junto com os pássaros, vamos embora

Depois das crianças voltarem
Enquanto os pássaros sonham
Uma lua grande e redonda
e a estrela dourada brilham no céu.

Outras músicas infantis japonesas podem ser encontradas em:

http://www.musicajaponesa.net/mostracantor.asp?id=248&nome=M%DASICA%20INFANTIL

Denise Hiromi Aoki

Lembro de cantar essa música com a minha mãe, quem me ensinou, quando eu tinha uns 5 anos, talvez menos. Como não me recordo direito, tive que “entrevistá-la” para colher mais informações, disse ela: “Era divertido porque tinha a questão da memória, de falar todos os instrumentos já cantados à medida que mais um fosse acrescentado (minha mãe nunca cantava na mesma ordem!). Você também gostava de imitar, não só os sons dos instrumentos, que estão na letra, mas principalmente os gestos para tocá-los”.

Pesquisando na internet, descobri que, melodicamente, a versão que eu sempre cantei, é uma versão modificada (possivelmente pela minha mãe) e que os instrumentos “cantados” nem sempre são os mesmos.

Versões de Portugal:


Partitura da versão mais conhecida:

Partitura da versão da minha mãe:

Adaptações criativas:

Grupo Batucantante:

Grupo Vocal da Escola Básica 2, 3 da Maia (São Miguel – Açores):


Relato interessante:

http://desde81.blogspot.com/2010/09/foi-na-loja-do-mestre-andre.html

Nossa versão:

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